A África do Sul ganhou uma má reputação por motivos que não são totalmente justos, e há também quem se porte de forma demasiado descontraída, sem razão para isso. O país é grande, bonito, na maioria fácil de viajar e tem um problema de crime real, mas disperso e em geral evitável com hábitos simples que não custam nada.
Os visitantes que têm más experiências são quase sempre os que a trataram como se fosse a Europa.
Segurança, sem rodeios
Começa pelo que é verdade, não pelo que assusta. A taxa de criminalidade violenta é alta em comparação com a Europa Ocidental, mas está concentrada em certos lugares e situações. Os roteiros turísticos, os parques nacionais, as regiões vinícolas e as vilas costeiras não são perigosas como os números levam a crer e os incidentes seguem sempre os mesmos padrões.
As regras dos locais:
Não andes sozinho à noite numa cidade, nem em zonas que não conheces seja a que hora for. Se precisares de te deslocar, vai de carro ou usa um serviço por app.
Mantém telemóveis e câmaras longe das mãos em ruas cheias. Um telemóvel na mão é o objeto mais roubado que existe.
Usa apps de mobilidade em vez de táxis que encontras na rua, sobretudo à noite e ainda mais se for no aeroporto, onde aparecem condutores não oficiais.
No carro, mantém as portas trancadas e os vidros fechados, sobretudo se o trânsito está parado ou nas interseções.
Se fores assaltado, entrega o que te pedirem. Nenhum objeto vale o risco físico.
Nada disto é estranho, e tudo isto é automático para qualquer sul-africano.
Condução, e porque é que muda os planos
Na África do Sul conduz-se pela esquerda. As estradas são boas, o combustível é barato e quase todos os postos têm funcionário para abastecer, verificar pneus e limpar o pára-brisas enquanto ficas sentado. É habitual dar umas moedas a quem faz este serviço.
Existem portagens nas vias principais e aceitam cartão. Os limites de velocidade são controlados, por vezes por câmaras em carros não identificados. As distâncias são grandes: um passeio cénico que parece duas horas no mapa é muitas vezes quatro.
A decisão mais importante no itinerário é se vais conduzir ou não.
Saúde, e a questão da malária
O tema de saúde que pode alterar os planos é a malária. O risco existe no lowveld de Mpumalanga e Limpopo, incluindo o Parque Nacional Kruger e cidades próximas, e é sazonal. Cidade do Cabo, Garden Route, Joanesburgo e Drakensberg não têm malária.
Consulta uma clínica de viagens antes de reservares. A resposta pode mudar de parque de safari ou significar que precisas de levar comprimidos.
Depois disso, aplicam-se os conselhos do costume. A água da torneira é segura nas cidades. O sol é forte. O planalto tem altitude e convém dar um dia para te adaptares. E o seguro de viagem tem mais importância aqui do que noutros destinos, porque um acidente em zona remota significa longe de um hospital bom.
Dinheiro, gorjetas e o ritmo do dia
Os cartões funcionam praticamente em todo o lado, até nas bancas de mercado, sendo comum o pagamento contactless. O dinheiro físico ainda se usa para gorjetas, guardas de carros e alguns vendedores informais. O que faz o rand explica estes pormenores e os famosos guardas de carros, que são o costume local que os visitantes mais estranham.
As gorjetas nos restaurantes são de dez a quinze por cento, umas moedas para o guarda de carros ou para quem abastece combustível, e um extra para o guia no fim de uma visita.
O que impressiona e os verdadeiros imprevistos
Duas coisas surpreendem quase toda a gente na primeira visita, e para melhor.
A primeira é a comida. Come-se muito bem na África do Sul, de um braai (churrasco) no quintal à cozinha Cape Malay do Bo-Kaap, passando por cartas de vinhos em Stellenbosch que custariam várias vezes mais na Europa. As Winelands estão a uma hora da Cidade do Cabo e são um destino a sério, não só uma excursão.
A segunda é a infraestrutura. Nas cidades e nas rotas turísticas ela é realmente boa: autoestradas, hospitais, centros comerciais, cafés, cobertura móvel e pagamentos por cartão ao nível europeu. Já passou a fase em que quem viajava precisava de levar tudo consigo. O que difere é a distribuição: no mesmo país onde há um hospital privado com padrão internacional, há clínicas rurais em dificuldade, e ver ambos numa só viagem faz parte de compreender o lugar.
O terceiro imprevisto é o clima, que apanha as pessoas desprevenidas porque o país é enorme. Cidade do Cabo no inverno é fria e chuvosa, pede casaco a sério. Joanesburgo no inverno é seca e quente de dia, mas fria à noite. Durban é húmida todo o ano. Fazer a mala para a África do Sul é preparar-se para um país e não apenas um clima.
Distâncias e o erro habitual
A África do Sul tem cerca do dobro do tamanho de França e muitas menos estradas. Cidade do Cabo a Joanesburgo é voo de duas horas ou viagem de catorze horas de carro. A Garden Route faz-se bem em vários dias, não numa tarde.
O resultado é que quase todos os roteiros de primeira viagem acabam demasiado ambiciosos. Cortar um destino e ficar mais dois dias noutros é o que transforma uma viagem boa numa excelente.
Se ainda não decidiste como vais tratar do telefone, um eSIM para a África do Sul cobre o acesso à internet, e a cobertura das redes mostra as zonas com sinal fraco.