O Mar Vermelho egípcio é um destino para mergulhar por acidente geográfico: é quente, é fundo junto à costa, quase não há rios a turvar a água, e o recife começa a poucos metros da praia em alguns locais. A visibilidade costuma rondar entre vinte e trinta metros, o coral fica suficientemente à tona para saltar de snorkel, e há tantos locais ao longo da costa que um mergulhador pode passar duas semanas a viajar entre eles.
É também um sistema bem organizado. O Egito recebe mergulhadores de recreio desde os anos 70, há agências e centros de mergulho ao longo de toda a costa, e o padrão é suficientemente bom para garantir segurança a quem começa, e apenas a má preparação desilude quem já sabe o que faz.
Onde estão os locais
Três zonas, três estilos. No lado do Sinai, Sharm El Sheikh é a base para mergulho de barco: Ras Mohammed na ponta sul, os recifes do Estreito de Tiran, e o Thistlegorm, um navio de guerra afundado com a carga ainda nos porões. Dahab, mais a norte, é a vila de mergulho à beira-mar: recifes no final da estrada da praia, o Canyon e o Blue Hole, e o sítio mais calmo do país para aprender.
Na costa continental, Hurghada é o maior centro e o mais fácil de chegar do Nilo, com as ilhas Giftun e uma série de recifes a curta distância de barco. A sul de Hurghada, Safaga e Marsa Alam conduzem aos parques marinhos do largo: Brothers, Daedalus e Elphinstone, que são o destino dos liveaboards, além dos dugongos e golfinhos das baías mais meridionais.
Marsa Alam é a base mais recatada e a que fica mais perto dos recifes longos do sul: Elphinstone, com uma parede que mergulha fora de vista e tubarões de recife, fica a um curto passeio de barco da costa, e nas baías a sul há ervas-marinhas onde os dugongos se alimentam e golfinhos passam. Mais a fundo, Fury Shoals e os recifes ao largo de St John’s são praticamente exclusivos para liveaboard, razão pela qual nos meses de inverno os barcos de uma semana rumam a sul, e no verão seguem à procura dos naufrágios.
Quando ir
O mergulho faz-se todo o ano, e a época a escolher depende do que se quer: a água mais limpa costuma ser na primavera e outono, a mais quente no final do verão, e o preço mais baixo no auge do verão do sul, quando o calor é intenso e os hotéis estão sossegados. O inverno no norte do Mar Vermelho é mais frio em profundidade do que se imagina, o que implica fato completo em vez de lycra, e é por isso que a maioria dos liveaboards vai para o sul nessa época.
Aprender, e a escada dos níveis
Um curso de open water dura três ou quatro dias, começa em água rasa e termina com um brevet que permite mergulhar até dezoito metros com um companheiro, em qualquer local. Quase todos os resorts têm várias escolas, o que mantém os preços mais baixos e facilita comparar o ensino, e os locais de acesso direto junto à praia em Dahab e Hurghada são os mais acessíveis para aprender na região.
Depois, a evolução é linear: certificação avançada para locais mais fundos e para o naufrágio, depois especializações conforme os teus interesses, e formação técnica se te atraem as paredes fundas e o arco do Blue Hole. É neste último passo que há mais riscos, porque os locais parecem acessíveis, por isso o conselho que todos os instrutores sérios dão é sempre o mesmo: faz a formação adequada antes de tentares, nunca depois.
Quanto custa e o que não está incluído
O mergulho no Egito é acessível para padrões europeus, daí que muitos tirem o curso cá e não em casa. O preço por um dia de mergulho costuma incluir o barco, o guia, garrafas e lastro, alimentação e água; o aluguer de equipamento, as taxas dos parques marinhos, nitrox e a gorjeta à equipa são quase sempre à parte, e é nos extras que um orçamento falha. Os liveaboards são bem mais caros e incluem quase tudo para uma semana, incluindo o combustível que permite chegar aos parques do largo.
Pergunta sempre o que está incluído antes de reservar, verifica se o barco tem oxigénio e kit de primeiros socorros e confirma o seguro. Muitas apólices de viagem excluem mergulhos para além de certa profundidade, e um acidente de descompressão pode ser das despesas mais pesadas numa viagem.
As regras importantes
O recife é o principal valor. É protegido nos parques marinhos, é frágil, e um simples bater de barbatana ou mão no coral pode anular décadas de crescimento, por isso o controlo de flutuabilidade é a habilidade que deves dominar melhor, e o protetor solar seguro para recifes não é detalhe de marketing. O resto são regras de bom senso: mergulha dentro dos teus limites de formação, faz a paragem de segurança, nunca voes nas vinte e quatro horas após o último mergulho, bebe água e tapa-te mais do que pensas precisar.
O mergulho é o motivo pelo qual muitos voltam ao Egito pela segunda vez e o Mar Vermelho é a razão de regressarem uma terceira. Começa num recife junto à praia, faz o curso, evolui para o naufrágio e as paredes, e deixa os locais mais fundos para quando estiveres mesmo preparado.