Oásis de Siwa: o oráculo, os lagos de sal e o mar de areia

Como funciona o Oásis de Siwa: o oráculo de Amon, a aldeia arruinada de Shali, os lagos de sal, o Grande Mar de Areia e o longo caminho de deserto até lá.

4 min de leituraInformação verificada a 26 de setembro de 2026

Resposta curta

O Oásis de Siwa fica entre a Depressão de Qattara e o Grande Mar de Areia, no Deserto Ocidental, a cerca de 560 quilómetros do Cairo e 50 quilómetros a leste da fronteira com a Líbia, a 19 metros abaixo do nível do mar. Os habitantes são siwi e falam uma língua berbere. O oásis é conhecido pelo templo e oráculo de Amon em Aghurmi, consultado por Alexandre Magno, pelas ruínas de barro da antiga aldeia de Shali, pelos lagos de sal e nascentes, e pelas dunas do Grande Mar de Areia. A forma mais simples de chegar é por estrada, a partir de Marsa Matrouh.

Siwa fica numa depressão do Deserto Ocidental do Egipto, entre a Depressão de Qattara e o Grande Mar de Areia, a cerca de 560 quilómetros do Cairo e a cinquenta da fronteira com a Líbia. Está a dezenove metros abaixo do nível do mar, recebe cerca de doze milímetros de chuva por ano e os habitantes são siwi: falam a sua própria língua berbere há muito tempo. Os antigos egípcios chamavam-lhe Oásis de Amon-Rá, pelo deus cujo oráculo aqui existia, e durante séculos foi um sítio a que se chegava após uma longa viagem.

Ainda hoje é assim. Siwa não está a caminho de mais lado nenhum, razão por que o oásis manteve as suas características: arquitetura de barro e sal, um lago salgado, nascentes entre os palmares e uma aldeia numa colina abandonada há menos de cem anos. A cidade de referência mais próxima é Marsa Matrouh, na costa mediterrânica, cerca de 300 quilómetros a norte.

O oráculo e o homem que perguntou

O templo de Amon em Aghurmi era um dos grandes oráculos do mundo antigo, e a sua fama repousa numa visita: em 331 a.C., Alexandre Magno veio do Nilo para perguntar ao deus se era filho de Zeus-Amon. Ouviu o que queria ouvir, mas nunca contou que outras perguntas fez. O templo ainda está ali, sobre os palmares, sem telhado e depenado, e a poucos passos ficam as ruínas do templo de Umm Ubayd.

O resto das antiguidades é quase todo funerário e está sobretudo na Montanha dos Mortos, uma escarpa cheia de túmulos escavados na rocha, com tetos pintados e algumas inscrições sobreviventes em grego e siwi. Pelo caminho ficam as nascentes: algumas doces, boas para banho; outras tão salgadas que se flutua sem esforço, fonte de todas as fotografias de Siwa.

Shali, a vila que se desfez

Shali é a antiga vila, construída sobre um monte no meio do oásis com kershef, uma mistura de barro, sal e pedra. Tinha-se transformado numa colina fortificada de casas empilhadas quando, em 1926, três dias de chuva caíram num sítio onde não chovia: o sal das paredes dissolveu-se, a estrutura ruiu, e os habitantes mudaram-se para as áreas baixas. O que resta é uma colina castanha a desfazer-se, cruzada por caminhos, e é das caminhadas mais estranhas do Egipto.

A estrada e o que levar

Ir a Siwa é o maior desafio da viagem. O percurso habitual é a estrada do deserto vinda de Marsa Matrouh: longa, reta e com poucos serviços; há também autocarros a partir do Cairo e Alexandria, o que faz um dia muito longo. O oásis tem pista de aviação, mas os voos regulares não são certos, por isso planeia isto como um trajeto rodoviário e vai-se devagar.

Prepara-te para dois climas no mesmo dia. Os dias de inverno em Siwa são suaves, mas as noites obrigam a casaco a sério, e no verão é dos lugares mais quentes do Egipto, com escassa sombra. O dinheiro em numerário vale mais aqui do que em outros sítios: leva o que precisares, porque um terminal de cartão no oásis é pouco fiável.

Deserto, água e o modo do lugar

A oeste do oásis começa o Grande Mar de Areia, um imenso mar de dunas que segue até à Líbia e além. O passeio que toda a gente acaba por fazer é num todo-o-terreno para dentro das dunas, por umas horas ou uma noite ao relento, e convém marcar com um hotel habituado aos mesmos motoristas todos os anos. Sandboard, chá na duna e o silêncio: é o que se faz.

O próprio oásis vive ao ritmo da água. As nascentes vêm do aquífero do deserto, os palmares irriga-se em ciclo, de forma revezada, e o grande lago salgado surge do que sobra e evapora até virar salmoura. Nadar nele é novidade; as nascentes de água doce nos palmares são melhores para a tarde e quase sempre gratuitas.

Siwa é conservador e está longe das instituições do vale do Nilo. Usa roupa discreta, pede autorização antes de fotografar pessoas e faz os passeios pelo deserto só com quem o hotel recomende. Tudo normal para o Egipto rural: aqui é só mais relevante, o hospital de maior dimensão fica a oito horas de viagem.

Siwa recompensa quem faz a viagem, precisamente por ela ser trabalhosa: um oráculo consultado por Alexandre, uma vila desfeita pela chuva, sal onde se flutua e dunas que se estendem por cem quilómetros. Dá-lhe três noites, leva dinheiro, e vai entre outubro e abril.

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