O Egito é um país de dinheiro vivo, com aparência moderna. Um hotel de cinco estrelas no Cairo aceita o teu cartão sem hesitar, e o motorista desse mesmo hotel quer notas. Quase todos os atritos que um visitante encontra com o dinheiro vêm deste contraste, mas é fácil de resolver com um pouco de preparação.
A libra e o seu percurso recente
A libra egípcia divide-se em 100 piastras, mas as moedas de piastra praticamente desapareceram do uso corrente e os preços são dados em libras. A nota com o valor mais alto é de 200 libras, que equivalem apenas a alguns dólares, o que faz com que a carteira em Egito pareça sempre recheada e os preços apareçam em números altos que afinal são pequenas quantias.
A libra já foi desvalorizada mais do que uma vez nos últimos anos e o câmbio já oscilou muito por causa disso. Isto é importante para o visitante num ponto essencial: não faças um orçamento em libras com meses de antecedência à espera que o valor resista até à viagem. Converte à medida que vais gastando.
Também significa que preços escritos em guias antigos podem estar muito desatualizados. Tudo o que tiver mais de um ano serve só para dar uma ideia aproximada.
O que custa cada coisa
O Egito é um destino económico para quem viaja, e as coisas do dia a dia ainda mais.
Um chá, café, uma garrafa de água, algo rápido na rua: são apenas algumas libras. Uma refeição num restaurante típico custa pouco. Numa sala de restaurante de hotel pagas várias vezes mais, por comida semelhante. Uma viagem de táxi pelo Cairo é barata à escala europeia, e o valor negocia-se. A entrada nos grandes monumentos é normalmente o maior gasto do dia, e os preços são feitos a pensar nos visitantes e não nos locais.
Há dois hábitos de preços que convém conhecer. O primeiro é que espaços turísticos, hotéis e cruzeiros no Nilo costumam apresentar preços em dólares americanos, para se protegerem das flutuações cambiais, e tu acabas sempre a pagar um pouco mais. O segundo é que em mercados o preço dado ao turista é só um ponto de partida: pechinchar faz parte e espera-se mesmo.
Conversão mental
O widget abaixo usa a taxa de referência de um só dia. O teu banco vai aplicar algo ligeiramente pior.
Como os números andam sempre altos, o truque útil não é pensar em uma libra, mas sim em cem. Aprende o que são cem libras, um café ou uma refeição, por exemplo, e a conta faz-se em segundos, mesmo de pé na banca.
Dinheiro vivo, cartões e multibancos
Os cartões funcionam em hotéis, restaurantes mais grandes, supermercados e lojas maiores. Não funcionam para táxis, mercados, gorjetas, funcionários da casa de banho ou cafés pequenos, que preenchem grande parte dos teus gastos diários.
Por isso, a combinação certa é simples: anda sempre com dinheiro vivo, sobretudo notas pequenas, e usa o cartão só para despesas maiores. Levanta nos multibancos ligados a bancos, rejeita a opção de converter logo para a tua moeda, e levanta logo um valor razoável porque a comissão é por levantamento, não pelo valor do mesmo.
Baksheesh, e porque não é uma chatice
No Egito, dar gorjeta chama-se baksheesh e é mais um pequeno pagamento pelo serviço do que uma recompensa pelo serviço ter sido bom. Se alguém abre uma porta, guarda o carro, carrega um saco ou indica o caminho, trocam-se umas libras, sendo algo esperado no contexto, não é um mimo, é normal.
Inclui esta despesa no teu orçamento em vez de a encarar como um incómodo. Leva sempre umas notas e moedas pequenas, decide logo o que estás confortável em dar por cada situação, e a rotina das gorjetas deixa de ser um problema. Dez por cento no restaurante é regra comum, tal como dar algo ao guia ou motorista no final.
Atenção ao pagamento com cartão
Os terminais de pagamento no Egito às vezes fazem uma pergunta em árabe que determina quem faz a conversão cambial, e a escolha é mais importante do que parece.
Se a máquina te oferecer cobrar logo na tua moeda, rejeita. Esse sistema, chamado conversão dinâmica, usa a taxa definida pelo terminal, não pelo teu banco, e a diferença pode ser grande. Se fores cobrado em libras egípcias, o câmbio fica a cargo do teu banco, na prática, quase sempre compensa mais.
Mais uma dica para lojas pequenas: o terminal precisa de linha telefónica ou ligação de dados, e se a loja estiver com sinal fraco pode falhar ou bloquear a operação. Se vires que está lento ou difícil, pagar em dinheiro é mais fácil para ambos e não te custa mais nada.
Dois cuidados com o dinheiro
O primeiro é aterrar sem moeda local. Nos aeroportos egípcios há multibancos e casas de câmbio e ambos funcionam, mas uma fila após um voo longo é péssima se te aperceberes que o cartão não passou por motivos de segurança. Um pouco de dinheiro estrangeiro no bolso resolve essa primeira hora.
O segundo é presumir que o preço escrito é final. Em hotéis, museus ou qualquer local com tabela impressa, é mesmo. Mas com um táxi, guia ou banco do mercado, é só o valor de partida. Combina o número antes do serviço começar, tudo se negocia nessa altura. Se o fizeres antes, é educado. Depois, é discussão.
Antes de voares
Mais uma nota sobre a chegada. O aeroporto terá multibancos e casas de câmbio, ambos são aceitáveis, mas um taxista logo à saída antes de teres ido ao multibanco é o cenário a prevenir. Um pouco de dinheiro estrangeiro no bolso resolve essa primeira hora melhor do que toda a pesquisa.
Se também vais tratar do telefone antes da viagem, um eSIM para o Egito cobre a parte dos dados móveis, e os preços dos cartões SIM mostram as opções que tens à chegada.