Taghazout fica a dezanove quilómetros a norte de Agadir, numa costa de nordeste para sudoeste com o sopé do Alto Atlas por trás. Tem 5 233 habitantes, uma rua longa, uma mesquita, barcos de pesca puxados para a areia e uma encosta de casas brancas que se foi enchendo de alojamentos desde que o surf descobriu a vila no final dos anos 60.
Vale a pena ser claro sobre o que isto é. Não é uma estância de férias com ondas à porta: é uma vila piscatória onde os surfistas se instalaram, e nos meses sem ondas continua a ser a vila piscatória que era.
Como a vila virou vila do surf
A história escrita da vila é pouca e a oral começa com os portugueses. As tribos berberes das serras mantiveram esta costa contra eles, e a vila era armazém para material de pesca até então. Quando a influência espanhola aumentou na costa no século XIX, ergueram-se oficinas e mesquita para receber as famílias vindas das serras e a Taghazout tornou-se povoação de facto.
A parte notória é recente. No final dos anos 60, uma praia a sul da vila virou paragem na rota dos jovens que atravessavam o sul de Marrocos, e nos anos bons chegaram a viver ali várias centenas em tendas, barracas e carrinhas. O acampamento foi proibido e vieram hotéis equipados, mas o surf ficou e tornou-se a base da economia. Em 1992 a vila passou a ser sede de freguesia própria e foi nessa altura que chegaram água, eletricidade e telefones.
A estrada desde Agadir e o aeroporto
A vila fica na estrada da costa, dezanove quilómetros a norte de Agadir e 152 a sul de Essaouira. O aeroporto mais próximo é o Agadir Al Massira, em Temsia, vinte quilómetros a sudeste de Agadir, com 2,3 milhões de passageiros em 2023; a pista tem 3 200 metros e o terminal foi feito para três milhões por ano, sinal de como o turismo é sazonal nesta costa.
Por isso o transfer faz-se em dois passos: do aeroporto até Agadir (ou a contornar), depois a estrada da costa para norte. Conta com cerca de uma hora de carro, mais à tarde quando Agadir lembra um estacionamento cheio. Há autocarros e grands táxis entre a cidade e as povoações da estrada, e quase todos os alojamentos podem mandar alguém buscar, vale a pena pedir com pranchas ou malas.
As ondas e a época
O destino é uma série de point breaks à direita, sendo o Anchor Point, três quilómetros a norte, o mais conhecido. Com condições ideais, a onda começa aí, passa pelo Hash Point e acaba na praia do Panorama’s, nuns dois quilómetros de percurso. A época vai de setembro a abril, com a água mais quente, até cerca de 21 graus.
Entre os points há ondas mais amigáveis. A baía da vila é local de aprendizagem, e as praias a norte de Agadir, de Tamawanza (12 km) até Aghroud (30 km), dão opções para dias em que os points estão grandes ou cheios. O aluguer de pranchas e as aulas já são normais na economia da vila, por isso uma semana a cair de prancha pode muito bem acabar a surfar ondas.
Meses calmos, passeios e as colinas de trás
De junho a agosto o mar acalma e a vila muda de ritmo. Os hotéis enchem-se de famílias de Marrocos, a água está mais quente e o negócio passa a ser praia em vez de surf. É altura boa para vir com crianças e má para quem traz shortboard de performance.
As encostas valem um dia de passeio. O roteiro clássico é o Paradise Valley, por trás da costa; há cooperativas de argão a mostrar e vender o óleo e explicar as árvores; e ao longo da estrada da costa há uma praia a seguir à outra com parque e café. Paddle na baía, caiaque, passeios de camelo na areia e ioga vendem-se na vila e Agadir está a vinte minutos para quem quiser um ambiente de cidade por uma tarde.
Trabalhar desde a costa
Um mês aqui tornou-se normal, mas funciona melhor se ajustares as expectativas. Taghazout é só vila: as boas ligações estão nos alojamentos que as anunciam, e o truque é testar no próprio quarto porque encosta e paredes grossas dificultam. Agadir, mais abaixo, tem opções mais rápidas e estáveis, além de espaços de coworking e lojas.
Há duas dicas práticas. Compra dados antes de sair da cidade, seja ao chegar ao aeroporto ou em Agadir, porque na vila ninguém te vende plano fora de horas. E aceita que o dia depende mais do swell do que do calendário: aqui o horário mais calmo para trabalhar é o meio do dia, quando tudo dorme a sesta.