Baksheesh é uma palavra, três funções. Tanto pode ser gorjeta, como no restaurante ou num táxi, como dádiva de caridade, no caso de uma recolha na mesquita ou um donativo de uma família a um vizinho. E pode ser um pagamento para fazer acontecer, e é aí que nascem as confusões, porque quem visita nem sempre percebe qual das três está a ser pedida.
A resposta prática é mais simples do que a teoria. O Egito vive das propinas, os salários nos serviços são baixos e uma nota dobrada passada à mão é a maneira normal de agradecer um favor. Não precisas de acertar em todas as trocas. Precisas é de notas pequenas, mão rápida e confiança para dizer não, obrigado quando não pediste.
- No restaurante, além da taxa de serviço
- 5 a 10%
- Libras para um motorista que esperou
- 20 a 50
- Libras para o empregado da casa de banho
- 5 a 10
- Gorjeta, dádiva ou pagamento para avançar
- 3 significados
Quem espera gorjeta
A lista é maior do que na Europa, mas menor do que se imagina. Guias, motoristas e barqueiros que te dedicaram o dia. Porteiros dos hotéis e empregadas de limpeza, que carregaram e arrumaram. Staff do restaurante, para lá de qualquer taxa de serviço mencionada na conta. Empregados das casas de banho, que mantêm o espaço de que agradeces depender. Funcionários de locais turísticos que prestam pequenos serviços, como dar-te uma boleia num carrinho de golfe no parque ou abrir um portão pelo qual já pagaste para passar.
Depois há a categoria que apanha visitantes desprevenidos: a ajuda não pedida. Um homem que caminha ao lado do carro e te mostra onde estacionar, um miúdo que aponta uma paisagem que já vês, alguém que te põe um objeto na mão sem teres pedido. Isso não é baksheesh como salário; é baksheesh como troca, e podes recusá-lo antes de começar.
Quanto dar
Os valores variam com a taxa de câmbio, por isso pensa em proporções, não em valores fixos. Algumas libras por uma casa de banho ou pequeno favor, vinte a cinquenta para um motorista que te esperou, cinquenta a cem ou mais para um guia por meia jornada, e num restaurante cinco a dez por cento para além da taxa de serviço incluída na conta. Nas excursões organizadas, costuma haver um fundo comum para todos no fim, o que simplifica para o grupo e para a equipa.
Dois hábitos são mais importantes do que qualquer valor exato. Garante um bom stock de notas pequenas, porque o multibanco só dá notas grandes, e trocal-as num quiosque ou supermercado. Não deixes gorjeta em cartão: a máquina pode não passar esse valor ao trabalhador, e toda a lógica do baksheesh é que o dinheiro vá à mão.

Como recusar, e cedo
A recusa que funciona é a que chega antes da troca, não depois. Um sorriso, levantar a mão, dizer não, obrigado, e seguir caminho: é mesmo só isto. O que não resulta é aceitar o objeto, ou a ajuda, ou deixar que te ponham um lenço na cabeça e depois discutir o preço, esse é já o momento da dívida, não da recusa.
Se conseguires, diz em árabe. Shukran é obrigado, la shukran é não, obrigado, e mesmo um sotaque fraco chega para perceberem. Ninguém leva a mal uma recusa simpática; os choques que se vêem nos locais turísticos no Egito quase sempre surgem porque alguém não esclareceu logo as coisas, não por se recusar a dar.
Excursões, táxis e os casos difíceis
Há situações com regras próprias, e conhecê-las afasta dúvidas. Em tours organizados ou cruzeiros no Nilo, o valor para a equipa é habitualmente juntado no fim: o guia explica como funciona e um envelope para todos é o habitual, e simplifica tudo. No táxi, combina o valor antes se não for meter, e arredonda no fim em vez de negociar trocos.
Nos hotéis, o porteiro espera receber na entrega das malas, não no check-out, e a limpeza do quarto é gorjeta diariamente no travesseiro em vez de uma grande soma final, porque pode ser sempre pessoa diferente a limpar. Nos restaurantes, a taxa de serviço na conta não é a gorjeta: deixa o extra em dinheiro na mesa.
Depois está a categoria embaraçosa, que vale a pena pensar antes de acontecer. Se alguém te oferece algo que não pediste, a resposta que salva todos é um não, obrigado com um sorriso, dito antes de mudares de mãos. Se aceitaste, paga, e aceita as vinte libras como paga da lição, não começo de discussão. Ninguém espera que um visitante domine isto ao início, e quase todos aceitam um recuso amigável sem problema.
A quem nunca pagar
Dinheiro a quem está de uniforme ou se faz passar por oficial não é gorjeta. Não ofereças, e recusa se alguém pedir: um funcionário verdadeiro não precisa de ser pago pelo que faz, e quem se faz passar por oficial é assunto para a polícia. Guarda parte do dinheiro em sítios separados, leva o passaporte contigo e deixa objetos de valor no cofre do hotel, e reage a um pedido de dinheiro num controlo como farias em casa.
Quem está a pedir e para quê?
Pediste a ajuda que acabaste de receber?
Queres mesmo aquilo que te deram?
Pediste, por isso paga
Um guia, motorista, barqueiro, carregador ou empregada de limpeza: são serviços que pediste, e a gorjeta faz parte do pagamento. Dá-a em dinheiro, na mão, no fim, sem fazer cena, e escolhe um valor em função do tempo do serviço, não do tamanho da carteira.
Ficaste com isso, então paga
Um lenço mostrado num túmulo, uma fotografia tirada por ti, uma boleia num carrito de golfe: se aproveitaste, paga as vinte libras. Mantém a troca amiga, custa pouco e evita a discussão à porta que todos podem ouvir.
Recusa e segue caminho
O truque é recusar antes da troca começar: um sorriso, um gesto, um claro não, obrigado, e continuar a andar. Não aceites o objeto para depois recusar pagar, nem discutas: hospitalidade egípcia e insistência egípcia parecem iguais de fora, e a diferença está em teres pedido ou não.
Antes de começares o dia
0/8
Baksheesh não é imposto nem truque: é a forma como funciona uma economia de serviços junto com o turismo, e corre melhor se a vires com boa disposição. Notas pequenas, aperto de mão rápido, dizer não, obrigado quando não pediste e nunca pagar a ninguém de uniforme.




