A Montanha da Mesa é o motivo pelo qual a Cidade do Cabo tem o aspeto que tem, estranho de dizer sobre uma formação rochosa, mas a cidade cresceu à sua volta: o City Bowl a norte no sopé, o lado Atlântico a oeste, os subúrbios do sul espalhados pelas encostas baixas e o porto no terreno ganho ao mar. O cume está a 1.084,6 metros acima do nível do mar e cerca de 1.000 acima das ruas, e é plano: um planalto onde se atravessa a pé em vinte minutos com vista direta sobre a cidade ativa.
A montanha é também um fenómeno botânico. Nas encostas crescem 2.285 espécies de plantas, cerca de 80 por cento delas fynbos, o mato de folhas finas do Cabo, e o parque nacional à sua volta estende-se pelo comprimento da península até ao Cabo da Boa Esperança. É o parque nacional mais visitado da África do Sul, com cerca de 4,2 milhões de visitas por ano, quase todas na área do teleférico ou nos trilhos ao redor.
O teleférico e o tempo que o regula
O teleférico demora cerca de cinco minutos e funciona desde 1929, tendo cabines rotativas desde 1997 para que todos vejam a paisagem a caminho do topo. O problema não é a viagem, é a espera: em janeiro, pode ocupar uma tarde. o mais prático é garantir um bilhete com hora marcada comprado antes.
Se está a funcionar, não depende de ninguém na cidade. O vento sudeste, chamado aqui de Cape Doctor, sopra com força suficiente para parar o teleférico, razão pela qual todos os dias de manhã o estado é publicado. O outro fator é a "toalha de mesa": uma nuvem formada pelo ar húmido a subir as encostas e condensar logo acima do planalto, a deslizar pelo topo e a dissipar-se do lado oposto. É a nuvem mais fotografada de África e o pior sinal se marcaste ida ao cume numa tarde.
Subir a pé
Os trilhos a pé são mais curtos do que as pessoas esperam e mais difíceis do que parecem. Platteklip Gorge começa na zona da base do teleférico e sobe cerca de 600 metros em duas horas de degraus íngremes sem sombra; Skeleton Gorge sobe de Kirstenbosch pela floresta e pelo rio, é mais longa e verde; India Venster inclui trepadas e exposição e não é recomendável como primeiro trilho. Kasteelspoort, no lado oeste acima de Camps Bay, é a alternativa sossegada e a que oferece vistas sobre os Doze Apóstolos.
Duas regras cobrem quase tudo: leva dois litros de água por pessoa e começa cedo, porque ao meio-dia, a pedra já aqueceu a sério. E confirma sempre se o teleférico está a funcionar antes de começares a subir, a descida é a parte que custa, e uma montanha sem teleférico e um andarilho cansado pode tornar-se numa tarde longa.
Segurança, flora e o que vais encontrar
Os trilhos principais são movimentados e bem sinalizados, e a travessia não exige técnicas de montanhismo. Os riscos são os do costume: calor, escorregadelas em pedra solta e assaltos nos trilhos menos usados, especialmente ao início e ao fim do dia, o parque recomenda caminhar em grupo e ficar pelos percursos populares se fores sozinho. Leva telemóvel, avisa alguém do teu percurso e não te comportes como se fosse apenas um parque citadino pelo facto de haver uma cidade em baixo.
A fauna é discreta e especial. O animal robusto do tamanho de um roedor que se vê a apanhar sol nas pedras é o dassie (ratão do Cabo), e os seus parentes vivos mais próximos são os elefantes e os dugongos, o tipo de detalhe que impressiona a descida. Há lagartos, cobras que raramente aparecem, aves de rapina que aproveitam as correntes ascendentes e o sapo fantasma da Montanha da Mesa, que só existe em poucos ribeiros deste local e em mais lado nenhum na Terra.
O resto do parque
A Montanha da Mesa é o centro de um parque que se estende ao longo da península: Lion’s Head e Signal Hill atrás da cidade, os Doze Apóstolos pelo lado Atlântico, Constantia Nek por cima das quintas de vinho e depois a crista até ao Cabo da Boa Esperança. Lion’s Head é o trilho preferido para ver o nascer da lua ou o amanhecer: um percurso em espiral que leva uma hora e de onde vês cidade e montanha no mesmo quadro.
Signal Hill, logo abaixo, é o local de partida dos parapentes à tarde e de onde os habitantes se juntam para o pôr do sol, uma forma gratuita e tipicamente local de terminar o dia. As praias do Atlântico ficam mesmo debaixo do parque e as escaladas na montanha, desde as falésias de arenito acima de Camps Bay até às vias de escalada nas faces mais baixas, são frequentadas todo o ano por gente que mora a vinte minutos.
O que a montanha representa para a cidade
A montanha é o abastecimento de água da cidade, o seu clima, o marco geográfico e traço de identidade. Os reservatórios nas ravinas abasteceram a Cidade do Cabo durante mais de cem anos, a nuvem define se o teleférico trabalha e os percursos e condutas nas encostas foram abertos por quem os via como infraestruturas e não como paisagem. O teleférico da Montanha da Mesa já transportou mais de trinta milhões de passageiros desde 1929, e os trilhos são diários para quem sobe por exercício, não só pelo panorama.
É este o ponto prático para visitantes: a montanha não é um monumento a ver uma vez. É o eixo da cidade, e subir serve tanto para veres a Cidade do Cabo disposta aos teus pés como para estares no cume famoso.
A montanha é aquilo que na Cidade do Cabo não podes controlar nos planos; o mais prático é adaptares-te: verifica vento e nuvem todas as manhãs, guarda um dia livre e escolhe o que o tempo permitir. Um cume limpo justifica trocar o resto do dia e é disso que as pessoas se recordam depois.