A África do Sul produz vinho desde 1659, quando Jan van Riebeeck, o primeiro governador do Cabo, fez a primeira garrafa na Cidade do Cabo. Quase todo o vinho do país continua a sair de uma só província, o Cabo Ocidental, e a maior parte num raio de uma a duas horas da cidade: Constantia nos subúrbios sul, Durbanville e Paarl a norte, Stellenbosch e Franschhoek a leste e depois os distritos mais frescos de Elgin, Walker Bay e Swartland mais distantes.
O que torna o vinho sul-africano fácil de escolher, mas difícil de resumir, são os rótulos. O sistema Wine of Origin, criado em 1973, certifica a origem das uvas numa hierarquia de regiões, distritos e wards, permitindo ao rótulo indicar exatamente de que vale vem o vinho. É dos melhores sistemas de rotulagem do mundo, e permite descobrir o que gostas por distrito, não por marca.
- Primeiro vinho do Cabo
- 1659
- Wine of Origin criado
- 1973
- Denominações no sistema
- Cerca de 60
- Pinotage criado
- 1925
As castas a conhecer
Chenin Blanc é a base e a glória do vinho local: a casta branca mais plantada do país, tanto para brancos simples de beber como para vinhos que envelhecem dez anos. Se fores provar só uma coisa no Cabo, escolhe um Chenin de vinha velha e sério.
Sauvignon Blanc e Chardonnay mostram-se melhor nos distritos costeiros mais frescos, sobretudo Elgin e Hemel-en-Aarde, tal como o Pinot Noir dessas zonas tem sido um sucesso discreto do país. Cabernet Sauvignon e Syrah são os tintos sérios de Stellenbosch, Paarl e do Swartland, e o Syrah adapta-se particularmente bem ao clima do Cabo.
Depois o Pinotage, criado aqui em 1925 a partir de Pinot Noir e Cinsaut e quase exclusivo deste país. Pode ser suave, fumado e doce se feito de modo simples, mais sério e estruturado quando feito como deve ser, dividindo opiniões em todas as salas de prova. Prova um copo, forma a tua opinião, e não generalizes ao resto do vinho nacional.

As regiões, em resumo
Stellenbosch é o centro: maior concentração de quintas, a universidade de viticultura e a maior variedade de estilos. Paarl e Franschhoek ficam uma de cada lado, sendo a segunda a mais prática para restaurantes. Constantia, já dentro da Cidade do Cabo, é o vale histórico. Robertson e o Breede River no interior oferecem boas compras e bom Chardonnay. Elgin, Walker Bay e Hemel-en-Aarde são os distritos frescos do sudeste. O Swartland, a norte da Cidade do Cabo, é o país das vinhas velhas, fermentações espontâneas e castas mediterrânicas.
Salas de prova e como se estrutura o dia
Uma sala de prova no Cabo é ao mesmo tempo loja, bar e mini-aula. Entregam-te uma lista, normalmente com seis ou oito vinhos, e escolhes entre uma seleção padrão e uma de gama mais alta; um funcionário serve, explica e responde às dúvidas, e a taxa de prova cobra-se por pessoa e geralmente é descontada na compra de vinho. As propriedades maiores oferecem provas sentadas e guiadas por escanção, mediante um valor superior, ideais para focar a adega e não a paisagem.
Notas práticas das próprias salas de prova: os funcionários estão habituados tanto a quem não conduz como a quem conduz, por isso cuspir é normal e há recipientes próprios; ninguém leva a mal e ninguém se impressiona se engolires tudo. Em geral, as salas de prova encerram ao final da tarde, enquanto os restaurantes nas quintas funcionam até à noite, pelo que a última hora é mais para comer do que para provar.
Pergunta pela colheita antes de comprares uma caixa. No Cabo os anos variam mais do que sugere a publicidade e um vinho que te soube bem na quinta em março pode ser o mesmo rótulo, mas outra experiência três anos depois, por isso compensa provar antes de comprar e levar o mesmo que bebeste, não só pela memória.
Cap Classique merece nota própria: o espumante do Cabo, feito pelo mesmo método do champanhe, com Chenin Blanc, Chardonnay e Pinot Noir, custa uma fração da garrafa francesa. É a compra mais segura do país e vale a pena levar se só couber uma caixa.
Como o Cabo aprendeu a fazer vinho
1659
A primeira garrafa
Jan van Riebeeck, fundador e primeiro governador do Cabo, fez o primeiro vinho na Cidade do Cabo, plantando as vinhas que os holandeses precisavam para abastecer os navios. Constantia, a sul da cidade, foi a primeira quinta a ser famosa, e o seu vinho doce foi exportado para a Europa no século XVIII.
1973
Wine of Origin
Surge o sistema Wine of Origin, que divide as zonas em regiões, distritos e wards e certifica que as uvas provêm do local indicado no rótulo. Permitindo distinguir-se mais pela origem do que pela marca, é o motivo para os rótulos sul-africanos mostrarem mais informação do que noutros países.
1990s
O setor abre ao mundo
O fim da era das cooperativas e o regresso ao mercado internacional mudaram radicalmente o setor: novos investimentos, novas vinhas, exportações em massa e surgimento de novas casas. Os vinhos que chegaram aos supermercados estrangeiros nos anos 2000 foram o primeiro resultado, a qualidade que veio a seguir é o segundo.
2000s onwards
O Swartland e as vinhas velhas
Uma geração mais jovem de enólogos olhou a norte, para o Swartland e para as vinhas velhas de sequeiro do Cabo, apostando na fermentação espontânea e castas do Rhône. O movimento deu à África do Sul uma identidade contemporânea a par da tradição, por isso hoje uma carta de vinhos aqui pode parecer-se com a de qualquer lado.
Comprar e transportar
Na própria quinta o vinho fica bastante mais económico do que fora do país, e muitas vezes a taxa de prova é descontada na compra, convém comprares já ali, não no aeroporto à saída. O que trava são o peso e as regras: confirma o limite da companhia aérea e o duty-free do teu país antes de encheres uma mala, e lembra-te de que bebidas espirituosas e fortificados costumam ter limites próprios.
Empacotar é o desafio: protetores de garrafas ou meias grossas, duas garrafas por camada, mala rígida se levares mais do que algumas, e perguntar na propriedade pelo envio se compraste algo que não consegues transportar. Pergunta logo na sala de prova, porque muitas quintas já o fazem e o processo é mais fácil do que carregar treze quilos em vidro no aeroporto.
Como vais provar?
Ficas na Cidade do Cabo em vez da região dos vinhos?
Tens dois dias ou mais para o vinho?
Uma tarde, dentro da cidade
O vale de Constantia fica dentro da Cidade do Cabo, a vinte minutos do centro, com quintas históricas, um vinho de sobremesa famoso na Europa do século XVIII e restaurantes de quinta. É a escolha para meio dia, não para dia inteiro, e implica marcar carro ou pedir uma boleia por aplicação.
Um dia em Stellenbosch ou Franschhoek
Trinta quintas a curta distância, motorista marcado, três ou quatro provas e um almoço demorado. É a experiência clássica do vinho do Cabo e vale bem a pena, desde que escolhas um único vale. Marca o almoço e confirma o horário de fecho das salas de prova antes de sair.
Dois dias, dois vales
Stellenbosch e arredores no primeiro dia, depois o Swartland a norte ou Elgin e Hemel-en-Aarde a sudeste no segundo, que são mesmo dois países de vinho diferentes: Um quente, seco, com castas mediterrânicas; outro costeiro e fresco, com o mais prático Chardonnay e Pinot Noir do país. Fica alojado na região em vez de voltares a conduzir.
Antes de um dia de provas
0/8
O vinho sul-africano é uma conversa de duas horas a bordo de um carro, depois de trinta anos de reencontro com a própria história. Aprende o Chenin, prova o Pinotage, compra na quinta e fica atento às regiões costeiras frescas, são sempre a surpresa da viagem.




